Postado em: 10 de agosto de 2017
12º ENCOR ATINGE METAS DE PÚBLICO E CONTEÚDO

O 12º Encor atingiu seu objetivo. O auditório do Hotel Dall’Onder, em Bento Gonçalves, esteve sempre lotado durante todas as palestras e painéis nos dias 3 e 4 de agosto, datas do maior evento do mercado segurador do Sul do Brasil, promovido pelo Sincor-RS.  Ricardo Pansera, presidente do sindicato, comentou: “Participo desde o primeiro Encor, em 1992,  e digo sem medo de errar:  nunca vi um encontro com tanta qualidade”. O evento contou com a presença de 15 presidentes de sindicatos de corretores.

No pronunciamento na cerimônia de abertura do 12º Encor, Pansera também destacou que os partipantes buscam capacitação, negócios e oportunidades: “Somos um sindicato de empresários, de profissionais corretores de seguros. Nossa missão profissional é defender e qualificar estes profissionais”.

Já Robert Bittar, presidente da Escola Nacional de Seguros, ressaltou: “Esta é uma prova que podemos fazer encontros entre corretores e seguradores, sem antagonismos. Este é um espaço para colher dados e prosperar. Eventos como este servem para renovar conhecimentos, fundamentais na nossa área”.

Na ocasião,  ao lado dos presidentes do Sincor-SC, Auri Berteli, e do Sincor-PRS, José Antônio, Ricardo Pansera anunciou  o retorno, em 2018, do Brasesul – Encontro Sul Brasileiro de Corretores de Seguros, destinado aos três Estados.  A cidade escolhida é Florianópolis, com data a ser definida. O Rio Grande do Sul sediou o primeiro Brasesul , em 1994, na cidade de Gramado, na Serra Gaúcha.

O 12º Encor teve o patrocínio da Autoglass, Axa, Berkley, Bradesco, GBOEX, Icatu, Infocap, Ituran, Liberty, Mapfre, Porto Seguro, Previsul, Sancor, Sompo, SulAmerica, Sura, Tokio Marine e Unimed Seguros, além do apoio da Escola Nacional de Seguros, Fenacor e Sindseg-RS.

 

Palestras e Painéis

 

Na programação de palestras de painéis do 12º Encor, com o tema “O Brasil que queremos”, o historiador Marco Antonio Villa fez um panorama da corrupção no Brasil, desde a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, pelo marechal Deodoro da Fonseca. Mostrou como ela começou tímida, com poucas ocorrências e cresceu com o passar dos anos. Para superar o quadro atual, o palestrante deixou uma recomendação: “É decisiva a participação da sociedade civil no controle do Estado. Não podemos cair no pessimismo e assistir ao que se passa. Devemos incomodar a classe política, cobrar atitudes, mudar o Brasil. E, principalmente, não pense saída pelo autoritarismo. A solução é sempre pela democracia”.

Venda pela Internet

Ao tratar do tema “Venda de seguro na Internet: uma experiência prática”, o sócio-diretor da Minuto Seguros, Marcelo Blay, contou sobre o motivos que o levaram a criar uma corretora que denomina de “multicanal”, já que opera tanto pela Internet como pelo modelo tradicional, e os resultados alcançados.  Blay conseguiu desmistificar o funcionamento de uma corretora online e até a mudar o conceito negativo, sobretudo na visão dos corretores, das empresas pontocom.

O palestrante revelou que desde a criação da corretora, em 2011, jamais realizou uma venda 100% online: “Tentamos, até porque isso traria redução de custos, mas não aconteceu. Em todo o processo de venda existe a interação humana”. Apesar do depoimento surpreendente, o próprio Blay declarou que por sua experiência no mercado de seguros – foi executivo de grandes seguradoras  –, já esperava esse resultado.

Antes de iniciar o negócio, Blay teve o cuidado de encomendar uma pesquisa de mercado, apurando que 50% dos entrevistados comprariam pela Internet, e também recorreu à ajuda de uma consultoria no planejamento, a qual estudou a experiência do mercado estrangeiro. Com base no modelo americano, ele observou que há espaço para todo o tipo de venda, inclusive a online feita por corretores.

O sucesso da corretora, ou o “pulo do gato”, como Blay classifica, foi entender “que o atendimento online só funciona com o atendimento humano, por mais paradoxal que seja”. O palestrante revelou que 70% de quem procura o site não têm nenhum seguro. Entra na página da Internet, preenche os dados, faz um multicálculo, mas a apólice acertada é sempre fechada com um contato telefônico: “Não fechamos negócios pela Internet. O contato humano é sempre o momento final”.

Blay também ressaltou que sua empresa, e demais corretoras, precisam se adaptar aos novos tempos, e passar a usar multiplataformas como twitter, whatsApp e outras redes sociais. Sua palestra foi intermediada pelo corretor Breno Kor.

Perspectivas

O economista presidente do Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças no Rio Grande do Sul, Ademar Schardong, explicou como a economia brasileira pode reagir no futuro próximo e quais são as perspectivas para o mercado segurador.

Ele mostrou como nos anos 1960 e 1970 (período militar), a economía brasileira foi estatizada, modelo que sucumbiu por volta 1980, com a redemocratização. Apontou como a Constituição Nacional fala em livre-iniciativa e redução da influência estatal como importante para a nova visão.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  O palestrante ressaltou o surgimento do “Estado-Provedor e de Bem Estar Social”, que também  fracassou: “Recessão, PIB negativo, inflação elevada e juros elevados. Estas são as características econômicas do Brasil. Em 2017, deve haver crescimento positivo, mas não superior a 0,5% ao ano, o dólar deve continuar valorizado e os juros devem encerrar 2017 mais baixos”.

Segundo Schardong, o mercado de seguros é um setor muito estruturado, as companhias de seguros estão muito bem capitalizadas e com patrimônio de referência, cuja garantia é muito estável para os segurados.  Há uma oportunidade neste momento, em demonstrar para as pessoas que como o setor público deverá refazer o modelo de previdência, podem as seguradoras serem o complemento necessário. E recomendou: “Para isto, é preciso vender imagem, por o coração na negociação”.

Painel das seguradoras

Tendo como mediador o diretor de Marketing do Sincor-RS, André Thozeski, principais dirigentes de seis companhias líderes do mercado brasileiro participaram do Painel das Seguradoras, com o tema “Retomando o caminho do crescimento”. Eles deram suas visões de como anda o setor nos dias de hoje.

O presidente da HDI Seguros, Murilo Setti Riedel, lembrou o crescimento da indústria automobilística,  o        que deu impulso à carteira no seguro, e a inversão do cenário com a crise econômica: “O desafio para os próximos anos será vender seguros para quem não tem e, especialmente, para um frota envelhecida. E creio que a recuperação da economia não vai refletir na venda de carros”.

Luis Guitiérrez, presidente do Grupo Segurador BB-Mapfre nas áreas de Auto, Seguros Gerais e Affinities, acredita nas grandes possibilidades de crescimento da economia brasileira e do mercado e, principalmente, ouvir e oferecer o que o cliente quer: “ E vocês, corretores de seguros, serão imprescindíveis para alcançarmos o sucesso”.                                                                                                                                                                                                                                             Marco Antônio Gonçalves, diretor geral do Grupo Bradesco Seguros, previu que em dez anos não faremos seguros de auto, como hoje. Haverá uma adaptação necessária. “A atividade seguradora é desenvolvimentista. O seguro é uma instituição poderosa na garantia de bens e vidas”.

José Adalberto Ferrara, presidente da Tokyo Marine, previu que nos próximos três anos o mercado segurador possa chegar a 7% de participação no PIB (Produto Interno Bruto). “Para isto, vamos contar com campanhas publicitárias, vamos educar o consumidor. E neste cenário, o corretor terá que fazer a venda consultiva”.                                                                                                                                                                                                                                                                       Em sua intervenção, Rivaldo Leite, diretor da Porto Seguro, citou o jogador Neymar, vendido pelo Barcelona para o Paris Saint-Germain, como o jogador mais “carona” da história do futebol: “Ele disse numa entrevista que tinha o objetivo de ser o melhor jogador do mundo e está seguindo este ideal. Todos nós devemos seguir uma meta”.

Painel das Lideranças

 

O vice-presidente do Sincor-RS, Celso Marini, foi o intermediador do Painel das Lideranças, que contou com a participação de Armando Vergílio dos Santos Júnior, presidente da Fenacor. O dirigente da entidade nacional centrou sua fala nos pontos seguradoras piratas, SuperSimples, Ibracor e plataformas digitais.

Vergílio revelou que há uma batalha na Câmara dos Deputados e Senado em torno das seguradoras piratas. Advertiu que estas contam o apoio da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), que tenta legalizar esta forma irregular.

“Nossa categoria conta com o apoio da CNseg e FenSeg, e esta sinergia vai ser decisiva. Os corretores precisam denunciar, apresentar provas e fazer um esforço muito grande para combater as associações e cooperativas de proteção veicular. Se não houver mobilização, vamos perder esta batalha”.

O presidente também destacou a importância da inclusão dos corretores de seguros na tabela 3 do SuperSimples, o que desonera a categoria da fúria fiscal do Governo Federal.

Armando avisou que a categoria não será atingida pelas mudanças no SuperSimples, que começam a vigorar em janeiro de 2018. Acrescentou que muitos corretores poderão ser beneficiados pelo aumento do teto para inclusão no SuperSimples, que passa a ser de R$ 4,8 milhões.

O dirigente ressaltou o Ibracor (Instituto Brasileiro de Autorregulação de Corretagem de Seguros), criado diante da decisão de Estado de não mais permitir o surgimento de Conselhos profissionais: “O Ibracor é um órgão auxiliar da Susep. Não tem poder de polícia e fiscalização. Seu papel é zelar pelas boas práticas profissionais, cuidar da imagem dos bons corretores de seguros”.

O último ponto destacado por Armando Vergílio foi as plataformas digitais, como a Youse. O dirigente afirmou que a Fenacor aceita a disrupção, não o desrespeito na concorrência dentro da atividade. “Estamos na busca de solução para o pequeno e médio corretor enfrentar as plataformas digitais. Formamos uma comissão de formação profissional neste sentido”.                                                                                                                                                                   (Fonte Informações – Paulo Burd)

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