Postado em: 9 de novembro de 2017
PRESIDENTE DO IRB BRASIL RE EXPLICA COMO FOI O PROCESSO DE ABERTURA DE CAPITAL DA RESSEGURADORA

O mercado de resseguros brasileiro tem se mostrado dinâmico nos últimos dez anos. Em 2007, houve a quebra do monopólio de 69 anos do IRB Brasil RE no país. Alguns anos depois, em 2013, a empresa foi privatizada e deu início a um processo de IPO (abertura de capital), o que permitiu a obtenção de vantagens competitivas frente aos concorrentes internacionais que se instalaram no Brasil. É o que explica José Carlos Cardoso (foto), presidente do IRB Brasil RE, em entrevista ao presidente da CNseg, Marcio Coriolano, para o “Canal Seguro”, no YouTube.

Cardoso afirma que o processo de abertura de capital da empresa foi seu maior desafio profissional. Para que a resseguradora se tornasse atrativa diante dos investidores, fossem eles brasileiros ou internacionais, foi necessário treinar os antigos funcionários com a implantação de uma nova cultura interna: a da visão do cliente. “O que faltava a esses profissionais era essa nova ideia de ‘foco no cliente’, acelerando o processo para surpreender os consumidores. Uma vez que eles entenderam isso, a empresa seguiu nessa direção, e vimos que tínhamos os requisitos para um IPO. Assim, teve início a maratona final de convencer os acionistas, tanto no Brasil quanto lá fora, mostrando o que é esse novo IRB”, explica.

Com isso, os profissionais que se adequaram a essa nova cultura permanecem na resseguradora até hoje e, para os demais, foi oferecido um plano de aposentadoria para que deixassem a empresa. “Diante disso, cortamos custos, duplicamos nosso prêmio em três anos e quintuplicamos nosso lucro”, afirma o executivo. Para ele, houve bastante mudança no mercado ressegurador brasileiro nos últimos dez anos, e os maiores beneficiados são o setor securitário nacional e o consumidor final. “A nossa ideia é fomentar o crescimento do mercado de seguros, que vai se refletir no mercado ressegurador. Não só no IRB, mas em todos os players do mercado aqui no Brasil”, completa.

Lucro líquido de R$ 222 milhões no terceiro trimestre

O IRB Brasil RE encerrou o terceiro trimestre com um lucro líquido de R$ 222 milhões, aumento de 237% em comparação ao mesmo período do ano passado. Outro importante destaque do trimestre foi o resultado da subscrição (underwriting) que somou R$ 167 milhões, um incremento expressivo ante o resultado negativo reportado no mesmo período de 2016.

Entre os meses de julho e setembro, a receita com prêmios emitidos atingiu R$ 1,7 bilhão, alta de 34% quando comparado ao mesmo período de 2016. O volume total de prêmios emitidos no Brasil foi de R$ 1,1 bilhão. Desse montante, o segmento que liderou a emissão foi o Rural, com 37%, seguido por Property, que ficou com uma fatia de 31%. No exterior, os prêmios emitidos totalizaram R$ 601 milhões. O ramo de Vida respondeu por 36%, enquanto Rural teve 11% de participação fora do país.

O índice de sinistralidade foi de 66,1% contra 79,3% no terceiro trimestre de 2016, uma redução de 13 pontos percentuais. Já o índice de despesas administrativas segue em queda e passou de 5,7% para 4,9% na comparação entre os trimestres. A rentabilidade da carteira global de ativos, que somou R$ 6,2 bilhões até setembro, passou de 116% do CDI para 133% do CDI. O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) avançou 17 pontos percentuais no terceiro trimestre, passando de 8%, contabilizado em 2016, para 25%.

Desde o IPO, em 31 de julho, até 30 de outubro, o desempenho das ações do IRB apresentou crescimento de 21%. Nesta data, o valor de mercado da Companhia estava em R$ 10,3 bilhões. O volume médio diário negociado com as ações da Companhia foi de R$ 39 milhões, totalizando 1,4 milhões de negócios.

O presidente do IRB Brasil RE, José Carlos Cardoso, afirma que o IRB deu continuidade à sua estratégia de crescimento, mantendo o foco em eficiência e rentabilidade. “Temos um posicionamento muito sólido no mercado brasileiro e perseguimos o objetivo de ser o líder também no mercado latino-americano, priorizando o crescimento em linhas menos expostas a riscos catastróficos, como nos segmentos de Vida, Rural e Aviação”, declarou o executivo.

Acumulado do ano

Já o índice de despesas administrativas recuou de 6,1% de janeiro a setembro de 2016 para 6%, em 2017. A rentabilidade da carteira global de ativos teve um desempenho de 134% do CDI ante o desempenho de 127% do CDI para este período. Ainda no acumulado do ano, o ROAE registrou 26%, um avanço de 6 pontos percentuais sobre os nove meses de 2016.

De janeiro a setembro deste ano, o lucro líquido do IRB atingiu R$ 676 milhões, com retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) de 26%, o maior dos últimos três anos para esse mesmo período. O resultado de underwriting totalizou R$ 557 milhões nos primeiros noves meses de 2017, 113% de crescimento em relação ao mesmo período de 2016.

O volume total de prêmios emitidos cresceu 20% no acumulado do ano, alcançando R$ 4,5 bilhões. Desse montante, R$ 3 bilhões foram prêmios emitidos no Brasil e R$ 1,5 bilhão no exterior, que ampliou sua participação de 24% para 34% na comparação entre os períodos.

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